Danielle Zangrando anuncia fim da carreira como atleta
Santos - Danielle Zangrando.
Esse nome leva à lembrança, uma atleta de alto nível no Judô feminino brasileiro de grandes conquistas e deixará de ser anunciado para subidas ao pódium. A partir de novembro, ao fim dos Jogos Abertos do Interior, Danielle passará a ocupar o meio esportivo como uma profissional da Imprensa, na qual já vem também, se destacando com trabalhos na TV Tribuna, afiliada da Rede Globo de Televisão para toda a
Baixada Santista, Litoral Norte e Vale do Ribeira. Leonina de 27 de julho, Danielle Zangrando é formada
pela UNISANTOS em jornalismo (2007) e é formada também, em Direito pela UNIMES (2001). Através do
esporte, ela conquistou estas duas formações profissionais, conheceu diversos países ao redor do mundo, entre os quais ela destaca os Estados Unidos e o Japão, onde tem seu trabalho reconhecido. Danielle sabe da importância dessas conquistas através do esporte. A reportagem do Jornal do Esporte foi ouvir esta consagrada atleta que já emocionou bastante o país com suas conquistas.
Jornal do Esporte - Danielle, você está anunciando nesta entrevista o fim de um ciclo vitorioso no Judô brasileiro, uma página de grandes conquistas. Como se sente neste momento com essa sua decisão de parar?
Danielle Zangrando:
Pois é, depois de 25 anos de carreira vivendo isso muito intensamente, o Judô que é o esporte que eu escolhi, que eu amo, essa vida de atleta que é maravilhosa e se eu pudesse continuar nessa vida até os 70 anos eu continuaria, mas fisicamente é impossível. Então depois de algumas lesões, duas cirurgias
de hérnia de disco em 2001, em 2008 eu voltei a ter problemas novamente, depois dei a volta por cima em 2009, consegui voltar, mas aí eu já estava com outro foco, pensando realmente que estava chegando a hora de parar por minha vontade. Eu queria decidir a hora que eu estava pronta pra parar e agora está chegando esse momento. É um momento que está sendo assim, de uma certa forma tranqüilo porque estou certa da minha decisão, é o momento certo, eu queria mesmo parar de uma forma bacana, por cima, depois de uma vitória nos Jogos Pan-Americanos em 2007, não faz tanto tempo assim, mas ficou essa imagem muito boa da minha vitória, então eu gostaria de encerrar a minha carreira com esse momento positivo e nada mais justo do que ser na minha cidade, nos Jogos Abertos do Interior, em Santos, que é a cidade que sempre me deu total apoio, muito carinho, que aliás recebo até hoje nas ruas e quero retribuir esse carinho fazendo uma despedida de uma forma bacana, muito legal aqui.
JE - Para que as pessoas entendam exatamente o porquê dessa sua decisão de parar num momento vitorioso, parte-se do pressuposto de que você, uma atleta de alto nível de performance
não conseguiria mais sustentar esse condicionamento físico para manter o atual estágio. Esse é o motivo?
DZ: Exatamente. Como eu sempre fui uma atleta muito competitiva, uma pessoa muito autocrítica comigo
mesma, eu não queria ficar só participando de competições menores, queria realmente sempre defender o país na Seleção Brasileira e para isso treinava três vezes por dia. Minha vida era voltada 100% pro Judô, então não me arrependo de nada que eu fiz, se pudesse faria tudo de novo. Tudo que eu tenho
na minha vida hoje, meu trabalho é graças ao Judô, as coisas que eu conquistei na minha vida, foram mais alegrias do que tristezas, mais vitórias do que derrotas, então estou muito consciente de tudo que estou fazendo, muito tranqüila com apoio total da minha família, das pessoas que me apóiam, dos meus patrocinadores, todos sabem que esse seria meu último ano. E as razões são essas mesmas. As coisas aconteceram naturalmente. Primeiro por questões físicas mesmo, eu não tinha mais condições de manter um treinamento de alto nível pelas lesões que eu tive e para você está ali e não poder estar 100% da forma bem preparada, não seria justo comigo mesma e com as pessoas que sempre me ajudam. Venho, portanto numa transição profissional e comecei a trabalhar um pouco na área do jornalismo paralelamente ao Judô, ainda consigo conciliar por não estar efetivamente contratada, então comecei a perceber
que existe um outro lado da vida e quero começar a investir nessa carreira, estou gostando muito do que
estou fazendo e acho que isso está me ajudando bastante, porque para um atleta não deve ser fácil parar e não fazer nada.
JE - Com quantos anos você começou no Judô, qual a primeira equipe e quem foi seu primeiro técnico?
DZ: Eu comecei aos 5 anos de idade na academia do sensei Paulo Duarte, aqui em Santos, no Canal 3, e comecei por causa do meu irmãos Denis, 2 anos mais velho, ele fazia Judô. Naquela época não tinha mulheres, mas eu sempre ficava imitando. Eu sempre gostei de esporte. No colégio eu fazia
handebol, futebol, basquete, vôlei, mas eu me interessei por aquela arte marcial, achava diferente e queria estar ali dentro fazendo, mas não tinha meninas. Um dia o professor me chamou e falou “vem cá, já que você fica aí de fora fazendo tudo direitinho, vamos ver se aqui dentro você sabe fazer”. Aí eu fiz, mas falei que queria continuar e ele falou que tinha que conversar com meu pai que autorizou e falou: “deixa ela aí que vai apanhar bastante e daqui há uma semana vai pedir pra sair (risos)”. E graças a Deus não foi o que aconteceu, pois eu me apaixonei e o Judô está até hoje na minha vida.
JE - Quais os momentos mais importantes nessa sua carreira?
DZ: Vou tentar lembrar em ordem cronológica. Acho que o primeiro momento mais importante da minha
vida como atleta foi em 1995, no Japão, eu estava com 15 para 16 anos, quando eu conquistei a primeira medalha do Brasil no Campeonato Mundial de Judô que até entrou para a história da modalidade,
pois até então nenhuma mulher do Brasil havia conquistado esse título. Foi uma surpresa pra mim e
pra todos e muito comemorada essa conquista, pois ali tive garantida uma vaga para as Olimpíadas de Atlanta no ano seguinte. Eu já pensava em Olimpíada, mas poderia não ser aquela só que acabei
indo para Atlanta como a atleta mais jovem da delegação, apesar de não ter ido bem, perdi na primeira luta. Mas naquele mesmo ano de 96, fui vice-campeã Mundial Junior e em 98, repeti o feito sendo novamente vice-campeã Mundial Junior e aí fiquei na Seleção Brasileira me parece que por quase seis
anos seguidos. Já em 2000, tive a minha primeira derrota, foi outro momento marcante que eu realmente não esperava, tirou o meu chão porque eu estava acostumada só a ganhar e não sabia como o meu adversário ia embora pra casa e naquele dia eu descobri (risos).
Você nunca está preparado pra isso, naquele momento fui no fundo do poço, fiquei chateada, uma semana sem sair de casa, mas acho que cresci pessoalmente como atleta, como pessoa ao saber que não era invencível. Em 2001 foi outro momento importante, quando fiz as duas cirurgias de hérnia de disco e as pessoas falavam que eu nunca mais voltaria a lutar Judô, voltar ao alto nível. Ali foi um momento que eu realmente parei para pensar se valeria a pena arriscar a minha saúde em voltar ao
Judô em alto nível. Mas aí os médicos, tanto o doutor Castropil, como o doutor Catena me tranqüilizaram dizendo que eu iria voltar e não teria problema nenhum. E aconteceu, voltei só que consegui voltar para a Seleção Brasileira novamente em 2004, vencendo a seletiva para as Olimpíadas de Atenas. Naquele mesmo ano ainda fui bronze no Grand Slam de Paris, uma das competições mais importantes do Judô e fui campeã Pan-Americana vencendo uma cubana que era atual campeã mundial. Estava indo muito
bem nesta preparação para Atenas, mas infelizmente na Olimpíada eu perdi as quartas-de-final numa luta super disputada contra uma holandesa e na repescagem acabei sendo prejudicada pela arbitragem contra a italiana e perdi a chance de lutar por uma medalha. Outro momento bom foi em 2007,
quando ganhei a medalha de ouro no Pan-Americano do Rio de Janeiro, num momento mágico porque
você está lutando em casa com toda aquele torcida, aliás, a minha família fretou um ônibus pra ir ao Rio, foram 44 pessoas, primos meus que nunca tinham me visto lutar e eu com aquilo na cabeça, “não posso voltar daqui com uma medalha de prata (risos), e a CBJ havia jogado sobre nós (eu, a Priscila e a Ednanci) contando com três medalhas de ouro. Assumi a responsabilidade por ser uma das mais experientes do grupo e foi aquele momento mágico com aquela torcida toda, maravilhoso o momento, um dos mais importantes mesmo da minha carreira. Houve também um momento que antecedeu a ompetição no Rio, que foi carregar a tocha pan-americana aqui em Santos, perto do aquário onde recebi muito carinho das pessoas nas ruas. Depois, em 2008, eu voltei a ter problemas novamente na coluna, fiquei um ano parado, não teve como ir a Pequim e foi um ano que coloquei a prova se poderia estar voltando, mas como sou teimosa (risos). Foi quando em final de 2008 resolvi voltar e acabei sendo prata no Pan-Americano de Judô, minha última apresentação pela Seleção. Voltei-me depois para as competições regionais e agora acho que está na hora
realmente de encerrar.
JE - Como você vê hoje o lado administrativo do Judô no país?
DZ: A partir de 2001, com a entrada do Paulo Wanderlei Teixeira na Confederação Brasileira de Judô, houve uma sensível evolução nesse lado administrativo da modalidade. Ele é um presidente com um pensamento super moderno, ele trabalha o marketing do Judô e houve esse avanço administrativo,
uma vez que nos resultados já era um esporte vitorioso e faltava trabalhar a outra parte para a modalidade ganhar mais visibilidade. Hoje, o Judô é um produto muito vendável. Os atletas da Seleção
Brasileira são grandes estrelas do Esporte, trazendo credibilidade para os patrocinadores, uma imagem vitoriosa, portanto a Confederação está de parabéns pelo trabalho fantástico que vem realizando. Os atletas que estão na Seleção Brasileira recebem salário hoje, então o Judô logicamente que pode
melhorar ainda mais, mas acredito que já melhorou muito nos últimos anos.
JE - Que perspectivas você para o Judô até a Olimpíada de 2016 no Brasil?
DZ: O Judô é um esporte que toda a Olimpíada traz medalha, estamos até “mal acostumados”, graças a
Deus (risos). Eu acredito que com esse trabalho que a CBJ faz, não só com a equipe principal,
mas também com as seleções de base, o país tem um futuro promissor, o Judô feminino principalmente. Ele vem evoluindo a passos largos com as meninas tendo obtido resultados expressivos recentemente. Não tenho dúvidas que em 2016 nós vamos ter muitos medalhas com uma equipe bem homogênea e competitiva, mais ainda do que temos hoje.
JE - E a nova carreira agora na imprensa, vai seguir na área esportiva?
DZ: Sem dúvida! Não me vejo em outra área, tem tudo a ver comigo, a minha carreira de atleta e as pessoas associam muito a minha imagem ao esporte, tanto que eu fiz até hoje na TV Tribuna onde estou há 1 ano e meio, uma apenas uma matéria há pouco tempo sobre doenças renais e o meu chefe até falou que a minha voz e a minha imagem está muito associada ao esporte e eu concordo, essa é a minha área. Construí uma carreira como atleta e quero continuar isso dentro do jornalismo, seria perfeito, unir o útil ao agradável. Acho que estou aprendendo muito sobre todas as modalidades, por ser atleta você acha que sabe bastante, mas posso perceber que a cada dia é um aprendizado e estou adorando isso. Claro que todos temos os nossos sonhos para uma carreira profissional e eu como atleta consegui ir para duas olimpíadas e quem sabe não consiga também ir como repórter, o que seria uma grande vitória.
JE - Como você reconhece hoje a importância das pessoas presentes em sua carreira?
DZ: Acho que o importante neste momento de transição no esporte, de atleta para novas funções está tendo o apoio de amigos, patrocinadores, dos meus técnicos, meus colegas de treino, minha família principalmente, enfim, não se ganha nada sozinho e o apoio de todas essas pessoas que estão ao meu lado está sendo fundamental para essa nova fase que se aproxima. Todos fazem parte das minhas itórias.
Renovado, Jabaquara
espera brigar pelo acesso
Santos - O Jabaquara
está preparado para desempenhar
um bom papel nesta
Segunda Divisão do Campeonato
Paulista. O presidente
Bento Marques Prazeres
afirmou que o clube
está se adequando ao regulamento
da competição.
“Estamos reformando nosso
estádio e o gramado para
enquadrá-lo nas normas”,
afirma. Segundo o dirigente,
o elenco também foi reformulado
para que a equipe
chegue com força no campeonato
e busque o acesso.
“O time está todo renovado,
trouxemos bons jogadores
que estão buscando
espaço no futebol e o (técnico)
Negreiros está muito
otimista quanto a boa campanha.
Trouxemos alguns jogadores
do Paulista, cinco do
futebol mineiro, outros dois
do Rio de Janeiro e, além
disso, estamos negociando
com o Santos o empréstimo
de alguns garotos”, afirma.
Um dos destaques é
Danilo Della Corte, 20 anos,
que atuou em 2009 na Grécia
defendendo o Ao Kavala,
atual time do pentacampeão
Denílson. Em 2008, defendeu
o CA Taboão da Serra.
Antes de assinar com o
Jabuca, Danillo Della Corte
recebeu propostas para
seguir no Exterior, mas optou
pelo rubro-amarelo. O time
santista está no Grupo 6 da
competição, ao lado de
Guarulhos, Taboão da Serra,
EC São Bernardo, Mauaense,
Nacional, Palestra de
São Bernardo e São Vicente.
“É um grupo difícil, talvez o
Nacional esteja um nível
acima por causa da parceria
com o Corinthians, mas as
outras equipes também vem
muito fortes. O nosso foco é
o acesso e vamos brigar
bastante por esse objetivo”,
avisou. Antes da estréia contra
o Mauaense, dia 2 de
maio, no Ulrico Mursa, Prazeres
espera confirmar alguns
amistosos contra equipes
das categorias de base
do Santos.
“Estamos negociando
para enfrentar o time Sub 17
e alguns outros jogos-treino
também. Nosso relacionamento
com o Santos é muito
bom e talvez isso ajude tanto
a nossa equipe, quanto os
garotos deles”, finalizou o
dirigente.
Judô Kids atraiu atletas de
toda a região para Peruíbe
Peruíbe - A Prefeitura
de Peruíbe, por meio do Departamento
de Esportes,
realizou no dia 21 de março,
a sexta edição do Torneio
Judô Kids, nas categorias
Biriba, Mirim, Infantil, Infantojuvenil,
Pré-juvenil, Juvenil,
Adulto e Absoluto. Participaram
do evento cerca de 420
judocas das cidades de
Itanhaém, Pariquera-Açú,
Registro, Iguape, Itariri,
Mongaguá, Cananéia e
Peruíbe. A competição ocorreu
durante todo o domingo
no Ginásio Municipal de Esportes.
Cerca de 800 pessoas
prestigiando os atletas
e ao todo foram entregues
112 premiações. A organização
do torneio mostrou-se
solidária às causas sociais
e arrecadou 300 quilos de
alimentos que foram doados
para a entidade assistencialista
Recanto Vida.
Agora, Peruíbe será sede no
dia 13 de junho, do Torneio
de Judô Kikuo Arasaki. As
inscrições serão abertas
para atletas de todo o Estado
de São Paulo.
No Judô Kids, a cidade
de Itanhaém foi campeã
com 186 pontos, seguida de
Registro (2ª. com 82 pontos),
Pariquera-Açú (3ª.), Colégio
Alberto Eisntein de Itanhaém
(4ª.), Cananéia (5ª.), Academia
Adrenalina de Itanhaém
(6ª.), Itariri (7ª.) e Mongaguá
(8ª.). Peruíbe somou
224 pontos, mas não concorreu
por ser cidade anfitriã.
Na classificação individual
Absoluta, no Feminino,
Wedja Santos (Itanhaém)
sagrou-se campeã, ficando
Sabrina Rodrigues (Itanhaém)
em segundo lugar
e em terceiro as judocas
Tamires Batista (Peruíbe) e
Deise Monteiro (Alberto
Einstein). No masculino,
Adamo Passos (Peruíbe) foi
o campeão. Em segundo
lugar ficou outro atleta de
Peruíbe, Djalma Costa
(Peruíbe), enquanto dois
itanhaenses ficaram na
terceira colocação, Marcos
Vinícius e Alex Meira. Quem
prestigiou o evento com
sua presença foi Mariana
Santos Silva, atleta formada
nas bases da Associação
de Judô Budokan de
Peruíbe e que hoje está na
Seleção Brasileira. Mariana
falou da importância
de eventos que revelem
talentos como o Judô Kids.
Ela passou a residir em
Santos recentemente onde
treina na Academia Rogério
Sampaio. Na imagem
ao lado, aparece junto ao
diretor de Esportes do município
Amauri Meira, vereador
André de Paula e Samuel
Bastos, da Budokan.
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